quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

TÃO COITADINHOS QUE NÓS SOMOS!

Tenho a certeza que nós, portugueses, gostamos muito de ter pena de nós. Gostamos muito de ser sofredores, digo mesmo, masoquistas! E assim vamos andando, menos mal, podia ser pior, etc. etc.
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Como não tenho grande jeito para expor claramente ideias que me vêm ao espírito e me sinto muito feliz quando aparece alguém, com quem concordo, que as expressa de maneira brilhante, não resisto em, com a devida vénia, reproduzir tal escrito. É o que faço hoje, reproduzindo (com a devida vénia, evidentemente) o editorial de Isabel Stilwell, directora do "Destak", publicado hoje.
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"Contra factos há o optimismo
Há cinco anos vivíamos melhor e éramos mais felizes do que somos hoje. É o que indica o resultado de um estudo europeu, que publicamos aqui ao lado.
Simplesmente, suspeito que se há cinco anos nos tivessem feito a pergunta, daríamos a exacta mesma resposta, e assim sucessivamente até ao nostálgico tempo dos Descobrimentos, que convencionamos ter sido o El Dourado nacional.
Suspeito, sim senhora, que adoramos a postura de “coitadinhos”, de vítimas de governantes, políticos, chefes, sogras, colegas, polícias e o que for. Suspeito que continuamos convencidos de que “alguém”, que não nós mesmos, vai resolver os nossos problemas. Suspeito que nos comparamos sempre com os “melhores da aula”, não para nos esforçarmos para subir no ranking, mas porque temos a secreta esperança de que eles desistam e se juntam a nós, neste meio termo em que, tantas vezes, nos deixamos andar.
Não, não enlouqueci (pelo menos acho que não), e sei perfeitamente que atravessamos uma crise económica profunda. Mas sei que a maioria de nós, apesar disso, vive melhor do que os nossos pais, e muito melhor do que os nossos avós. Os nossos filhos sobrevivem ao parto, vão à escola em lugar de trabalharem numa fábrica, os nossos cuidados de saúde são muito melhores do que eram e, apesar de existirem bolsas de pobreza que sem dúvida nos envergonham, almoçamos e jantamos melhor do que há cem anos, e emigramos em melhores condições, e para ir ao encontro de melhores oportunidades, do que os nossos antepassados próximos. E, apesar das alegadas ameaças de “asfixia”, Portugal é um país livre e democrático. E sim, temos sol. Decididamente, temos que arranjar maneira de dar a volta ao pessimismo, de apreciar o que temos.
Afinal, só vivemos uma vez."
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Reproduzindo o saudoso J. F. Kenedy: "Ask, not what your country can do for you, but what you can do for your country."
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Façam o favor de ser felizes! E vamos ao trabalho, "cambada"! E vamos deixar de ser "coitadinhos"!

3 comentários:

O FdaPonte disse...

Ora bem vinda uma onda de optimismo.
Gostava que ela se transformasse num enorme e imparável Tsunami.
E ... " Façam o favor de ser felizes"...

O Ferreira da Silva disse...

Não estou de acordo com os "coitadinhos" dito desta maneira. Somos um bocado queixinhas, mas realmente vivemos hoje melhor que os nossos pais e o país está diferente. Falta saber se não há aspectos relevantes em que estaremos piores.

Será "isto" que queremos?

Ora é no "isto" que está o problema. É "isto" que eu não quero que continue "isto".

E por "isto" não me queixo, mas critíco e, dentro das minhas possibilidades, tento ajudar a fazer d"isto" uma coisa no mínimo um bocadinho melhor.

Mas realmente "isto" está a ficar irrespirável e insuportável!

O Ramiro Soares Rodrigues disse...

Evidentemente, que estamos melhores que à cem anos. Mal de nós que assim, não fosse. A minha vida tem sido melhor que a dos meus pais. Assim, como a deles terá sido melhor que a dos meus avós. Isto, em termos relativos no que respeita às condições materiais da nossa existência. Mas por isto, temo que a manter-se o "sacrossanto" modelo de "desenvolvimento" actual, a vida do meu filho e, eventuais, neto(s), já seja pior que a minha. E isto, apesar de não me queixar e tentar fazer com que o actual estado de coisas seja mínima e tendencialmente um pouco melhor. Só um bocadinho. Não sou muito exigente. Embora, por vezes acho que o deveria ser mais.
Não será que necessitamos de um novo modelo de sociedade e de desenvolvimento? Digo de desenvolvimento e não somente desenvolvimento económico, como é habitual e tradicional. Nos anos idos de 60/70 o grande indicador de desenvolvimento das sociedades era o "PIB percapita". Nas décadas de 80/90 aquele indicador perdeu actualidade e foi substituído pelo IDH (índice de desenvolvimento humano). Indicador composto que, mais exigente, utiliza e quantifica outros aspectos considerados fundamentais da vida humana em sociedade, para aferir comparativamente do grau relativo de desenvolvimento. Dito isto, não se trata de auto flagelação, mas sim, em meu entender, de postura crítica e actuante perante o mundo, as adversidades da vida e aqueles que, por artes de "prestidigitação", nos tentam convencer da inevitabilidade da única solução que nos vêm impondo.