O capitão instrutor
Até, pelo menos, 1966 não havia espingardas G-3 na Escola Naval, nem se ensinava o respectivo manejo de arma; o mesmo sucedia nas outras escolas da Armada, com excepção dos Fuzileiros, já praticantes desta matéria. Quando parti para comissão em Moçambique na "Vasco da Gama", o navio estava equipado com espingardas G-3 para uso da Força de Desembarque, que as utilizava amiúde, mas nada de ordem unida ou manejo de arma. Certo dia na cidade da Beira o navio teve que dar um pelotão para uma cerimónia militar, talvez por ocasião do 10 de Junho, sendo eu nomeado para comandar a força. Aqui levantou-se um problema, porque todos os oficiais, sargentos e praças sabiam somente manejar a Mauser. Todos? Não. Descobrimos que o capitão do navio, o único grumete barra 66 a bordo, já tinha recebido instrução de G-3. E foi assim que sob a superior orientação do grumete mais marreta se treinou o pelotão, que se apresenta na fotografia e não fez má figura.



6 comentários:
Muito boa esta "estória". Parabéns ao autor. Não se esqueçam que a imagem pode ser ampliada se "clicarem" sobre ela ... fica o comandante da força bem mais reconhecível. Quanto ao "instructor" é pena não estar identificado (problemas com o NAO já nesta altura???).
Aqui se vê a importância da existência do capitão a bordo dos navios.
Se estas histórias chegam aos ouvidos do Ministro da Defesa, ainda são substituídos os Almirantes por Grumetes...
Uma "estória" bem divertida narrada por um artista! 👏🏼
Obrigado Silva Nunes, pelo comentário. A fúria contra o AO dá nisto.
Se o MD sabe desta história ainda sugere ao CEMA que os navios sejam comandados por "capitães"?
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