REGATA LISBOA - BERMUDAS
(Ilhéu do Farol, Porto Santo)
"A navegar entre 10 e 12 nós, avistamos o Farol de Porto Santo e cerca de 30 horas depois tínhamos a ilha de Palma, Canárias à vista. Antes porém tivemos um encontro no mar: o "João de Lisboa" surge no horizonte e aproxima-se de nós.
Todos se precipitam para a borda; e eis que o velho calhambeque nos diz na sua linguagem morse e pela fonia, que encontrara outro veleiro, outra barca, 30 milhas à nossa frente.
Foi um balde de água fria. Barcas como a Sagres, ou o Alemão ou o Lehmekul norueguês. Era opinião geral que devia ser o Gorch Fock. Já não seriamos os primeiros a rondar as Canárias."
A falta de informação passada pelo João de Lisboa retrata o alheamento da Marinha pela nossa regata. Não nos soube dizer qual o nome da outra barca ou se a mezena era partida ou não. Só o G.F. e a Sagres tinham mezena partida, a outra barca o Stratsraad Lehmkul tinha uma mezena inteira. Tirando o Elcano,espanhol, os restantes veleiros armavam como fragata (pano redondo no mastro da mezena). Neste dia o "Papagaio", a sua alcunha derivava não só da forma do seu apêndice nasal como palreava permanentemente, que era o permanente das gáveas apanhou uma "piela" monumental com a triste notícia. Entretanto nós olhávamos para as "pilot charts" a tentar descortinar uma rota com mais probabilidades de vento. Na cabina de navegação havia 3 cartas; a carta de navegação dos cadetes, a carta de navegação do navio e uma terceira carta se estava guardada e que dela só tinham conhecimento directo para além do comandante e do navegador o Cap. Alan Villiers, australiano de nascimento, autor do famoso livro "A Campanha do Argus" e que ia como convidado a bordo. Este senhor era muito experiente em navios veleiros e grande admirador das descobertas portuguêsas.



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