quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Gritante

Termina hoje, com o dia de Reis, a quadra festiva natalícia.

Certa e felizmente, todos os membros, colaboradores e visitantes da “Água Aberta” passaram este período no calor das suas Famílias, com mesa composta segundo a tradição e com saúde, natural ou providenciada com os meios de que cada um dispõe.

Mas há outro mundo, retratado de forma chocante no DN de ontem, com notícia na primeira página e desenvolvimento na segunda: no espaço de 12 horas, no domingo anterior, tinham morrido em Lisboa nove idosos, pobres, sem quaisquer recursos, abandonados à sua sorte, em solidão, provavelmente doentes. E cerca de 15 000 aguardavam em filas de espera em lares públicos.

A população portuguesa está a envelhecer, a pobreza a aumentar, muita dela camuflada pela vergonha e a riqueza nacional cada vez mais iniquamente distribuída.

Que fazer? Deixar abandonar cada um à sua (má) sorte ou aceitar e contribuir para que a colectividade trate de maneira condigna e humana os seus velhos, pobres e doentes mais carenciados? Com estruturas, com humanidade, haja vontade para tal. O dinheiro, esse, arranja-se sempre, como se tem visto nos últimos tempos para outros fins.

Como dizia um comentador radiofónico hoje de manhã a propósito deste assunto, não nos estaremos a deixar tornar “assassinos por omissão”? O qualificativo é forte, mas mais forte é o estado em que muitos dos nossos semelhantes vivem.

Que este ano seja bem melhor para todos.

Advogados, sempre!

Os investimentos em contrapartidas não aparecem, mas a despesa com a comissão não pára. Ficámos agora a saber quem são os chupistas. Vejam só:


Comissão de Contrapartidas rompeu com escritório de Sérvulo Correia.

Honorários incomportáveis ditam divórcio. Contrapartidas executadas apenas a 30%
A Comissão Permanente de Contrapartidas (CPC) disse ontem ao Parlamento que dispensou os serviços do escritório de advogados que a assessorava, porque os honorários que cobrava se tornaram incomportáveis, confirmou o DN junto de diferentes fontes.
Em causa está o escritório de advogados liderado por Sérvulo Correia, embora o presidente da CPC, embaixador Pedro Catarino, não o tenha identificado durante a audiência de ontem com a Comissão parlamentar de Defesa.
Esse escritório, segundo as mesmas fontes que pediram anonimato, apresentava "honorários principescos" à CPC por "serviços cobrados ao minuto" - o que tinha grande peso no orçamento da comissão, reconheceu Pedro Catarino na informação enviada por escrito à Comissão de Defesa.
O embaixador explicou ainda nesse documento, ainda para justificar a decisão, que a CPC vivia numa situação de "dependência crónica" daquele escritório de advogados para actuar numa área que envolve programas de contrapartidas - pela compra de sistemas de armas e equipamentos militares - estimados em 2,8 mil milhões de euros e cuja taxa de execução ronda apenas os 30%.
Pedro Catarino terá mesmo dito ontem, aos deputados, que "uma das [suas] grandes medidas foi prescindir" de uma ligação que impunha "encargos muito pesados" à CPC e da qual estava praticamente 'refém'.
O embaixador, no final da longa audiência com a Comissão de Defesa, disse aos jornalistas que não é possível falar em incumprimento dos programas de contrapartidas, porque os contratos ainda estão em vigor. A título de exemplo, Pedro Catarino lembrou que o dos submarinos só termina dentro de três anos e os outros "mais tarde".
A taxa de execução dos diferentes programas - relativos à compra de submarinos, dos caças F16, dos aviões de transporte C295, das viaturas blindadas Pandur ou dos helicópteros EH101 - varia consoante os programas, mas globalmente ronda os 30%. Para tentar inverter essa situação, Pedro Catarino disse haver várias possibilidades,desde a renegociação dos contratos ao prolongamento da sua duração ou ainda à aplicação de multas.
Luís Campos Ferreira (PSD) disse aos jornalistas que a reunião com Pedro Catarino "foi produtiva", sendo suficientes para reforçar as críticas do partido.
"O panorama é preocupante", pois "as perspectivas" de execução daqueles programas são muito baixas, salientou o deputado, responsabilizando o Governo pela paralisia da CPC nos "nove meses" que se seguiram à posse de Pedro Catarino.
António Filipe (PCP) criticou a "enorme irresponsabilidade" dos Governo PS, PSD e CDS-PP no acompanhamento dos grandes investimentos associados às contrapartidas. "Não saio optimista" da audiência, acrescentou.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mar - Investigação

Para os que se interessam pelas coisas do mar.

Um "link" para o "El País" de notícia de 26-11-2009


Conferência na Fundação Calouste Gulbenkian

Embora com algum atraso, aqui deixo o aviso de realização de mais uma uma conferência na próxima 6ª feira, dia 7 de Janeiro.
Um abraço
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"Conferência na Fundação Calouste Gulbenkian

7 Janeiro 2010 17h30 O Dia em que nasceu a Ciência João Caraça
19h00 Observações astronómicas de Júpiter

Há exactamente 400 anos, na noite de 7 de Janeiro de 1610, em Pádua, Galileo Galilei começou a registar as observações que estava a efectuar sobre os satélites de Júpiter e que ele designou por “Estrelas Mediceias”em homenagem à família dos arquiduques de Florença.

Este registo tão singelo abriu um longo caminho que tem sido percorrido incessantemente desde então. A Ciência Moderna saiu completa das mãos de Galileu: o uso de instrumentos científicos de observação; a utilização de uma linguagem matemática; a publicação dos resultados; isto é, as suas principais características, que a distinguem dos outros domínios de conhecimento e dos saberes antigos sobre a natureza, possuem todos a marca de Galileu.

Muitos ilustres e extraordinários cientistas viram a luz e a iluminação da descoberta nestes últimos quatro séculos. A celebração das suas ideias e o desenvolvimento de uma atitude científica perante a vida são a melhor garantia de que encaramos o futuro com confiança.

João Caraça
Director do Serviço de Ciência
Fundação Calouste Gulbenkian

Fundação Calouste Gulbenkian Auditório 2
Transmissão directa nos espaços adjacentes
Vídeodifusão: http://live.fccn.pt/fcg/"

sábado, 2 de janeiro de 2010

O balde da Beira




Os navios ingleses que participaram no bloqueio ao porto da Beira, em aborrecidas patrulhas de três semanas de cada vez, ocupavam o tempo em competições desportivas, como hoquei no convés, e criaram um troféu, que era um balde de ferro velho pintado com os nomes dos vencedores, que ia passando de navio em navio. Esse balde está no museu naval de Portsmouth, onde eu o vi e já em 1979/80 escrevi na Revista da Armada sobre isso.


Navegando agora na net, descobri um forum de marinheiros ingleses que fala sobre o assunto e colhi mais alguma informação. Descobri que recebiam correio por via aérea que era lançado ao mar de paraquedas pelos velhos aviões Shakleton, talvez baseados em Aden, que na altura ainda era britânico. No meu tempo nunca detectámos estas manobras; deviam fazê-las bem longe do nosso olhar, mas aqui fica uma fotografia que lhes bifei e mais uma do balde.


O bloquei durou onze anos, envolveu 76 navios que interceptaram 47 navios tanque, sem qualquer resultado prático, visto que o combustível para a Rodésia continuava a entrar por outras vias.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano Novo, Vida Nova

Por ser dia 1 de Janeiro, considerei adequado escrever qualquer coisa. Entretanto estava entretido a ler a Visão desta demana (nas bancas a 31 de Dezembro) e deparei na página 6 com esta referência aos resultados do habitual inquérito semanal, a qual reproduzo, com a devida vénia.

Considero que a valia estatística deste inquérito é questionável, mas faz-me pensar e suponho que deverá provocar um pensamento crítico na hierarquia da Igreja Católica.

Acrescento que, para mim, Jesus Cristo é de esquerda.

Tenham um bom fim de semana!


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010


Começou a passagem. Bom ano para todos.

Bom Ano de 2010 para todos



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A Saúde como espelho do país

O Público de ontem trazia uma notícia sobre a saída dos médicos do serviço público de saúde para o privado e das consequências que isso pode ter na formação dos jovens médicos. Em determinada altura pode ler-se (sic): "A estudante da Faculdade de Medicina de Coimbra fala da observação de um doente por 15 internos. Não é ético para o doente. Na Faculdade de Medicina de Lisboa, diz que se chegou ao cúmulo de haver cinco estudantes a fazer toque rectal a um único doente."
Parece-me uma bela metáfora do que se passa no país! Tal como os internos fazem aos doentes nos hospitais, nós todos servimos de cobaias aos aprendizes de feiticeiro da política, da economia, da educação, etc, que se divertem connosco a experimentar as suas habilidades de toque rectal e vão observando as nossas reacções,
O que me espanta mais nisto tudo é ninguém se queixar! Até parece que começam a gostar! Como vem dizendo o Temes, por onde anda o direito à indignação?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Postal de Goa (IX)

O FORTE DE ALORNA

Em meados do século XVIII o Brasil e as suas riquezas despertavam todas as atenções do Reino de Portugal, enquanto o Estado da Índia atravessava um período de grande decadência, depois da perda de muitos dos seus territórios para a Companhia das Índias Holandesas (VOC).
Em 1739, perante a indiferença dos ingleses instalados em Bombaim, os exércitos maratas tomaram Baçaim, a capital da rica Província do Norte e, mais a sul, cercaram Goa. A solução encontrada para libertar Goa da pressão marata passou pelo abandono de Chaúl.
A gravidade da situação foi então compreendida em Lisboa e o Estado da Índia voltou a merecer atenção e a receber reforços, para recuperar a Província do Norte ou levar as fronteiras de Goa mais para o interior.
O território de Goa era constituído apenas pelas chamadas Velhas Conquistas e a opção foi alargar o seu território pelas vias militares e negociais.
Depois do curto vice-reinado do Marquês do Louriçal, sucedeu-lhe D. Pedro Miguel de Almeida e Portugal, marquês de Castelo Novo, um experiente administrador colonial que já exercera as funções de governador de São Paulo e Minas do Ouro do Brasil. O novo vice-rei procedeu à ocupação das praças de Bicholim, Sanquelim e Tiracol e, no dia 5 de Maio de 1746, tomou pelas armas o forte de Alorna, situado na margem direita do rio Chaporá, no concelho de Perném.
Os novos territórios passaram a ser conhecidos por Novas Conquistas e aos 786 km2 que os portugueses dominavam, em poucos anos foram-lhe acrescentados cerca de 2825 Km2.
Em 1723 o vice-rei Almeida e Portugal tinha adquirido a Quinta de Vale de Nabais em Muge. Porém, quando em 1750 regressou de Goa a Portugal, o Rei D. João V concedeu-lhe o título de Marquês de Alorna, em reconhecimento pelos actos de bravura praticados na tomada daquela praça forte, o que o levou a mudar o nome da sua quinta para Quinta da Alorna.
O forte de Alorna tem uma configuração pentagonal irregular e tem 4 baluartes, sendo protegido por um fosso que podia ser facilmente inundado pelas águas do rio Chaporá.
Embora em 1983 o governo de Goa tenha classificado o forte de Alorna como património histórico, o facto é que actualmente se encontra em precárias condições e coberto pela vegetação.

(Para ampliar,"clicar" na imagem)

Em Portugal, a palavra Alorna está hoje associada à obra literária de Leonor de Almeida Lorena e Lencastre, 4.ª marquesa de Alorna, cuja poesia está reunida nos seis volumes das “Obras Poéticas da Marquesa de Alorna”, mas também aos vinhos da Quinta da Alorna (http://www.alorna.pt/), mas poucos saberão esta curiosa história da forma como, em meados do século XVIII, este topónimo navegou de Goa para Portugal.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Dia de Natal


Boas Festas para todos os que têm o gosto de nos ler e participar no blog.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O que o povo espera dos políticos no novo ano?

Enquanto acabava de bricolar umas miniaturas de mobílias para o Pai Natal por no sapato das minhas netas fui ouvindo na rádio o chamado debate quinzenal na AR. Desde o 1º ministro a todos os que foram falando afirmaram, com grande convicção. que o povo espera deles, entre outras coisas, trabalho, seriedade, verdade, responsabilidade e outras palavras terminadas em "ade" que todos nós sabemos que não podemos esperar deles. Coitados ... ainda não perceberam que o que o povo espera e quer é ver-se livre deles!

Quanto ao nível do debate, se é que se pode chamar debate àquela espécie de tourada de palavras, a única coisa que me ocorre dizer é que fica muitos pontos abaixo dos debates futebolísticos das segundas feiras.

Tiri, tiri ...

Relativamente à onda do Ramiro Soares Rodrigues de 05 de Dezembro de 2009 com o título "Escola Naval 1964/65. Comunicações" foi recebido o seguinte comentário:

"Meu caro Ramiro Soares
Intervenho unicamente para corrigir um pequeno mal entendido . A frase " tiri tiri oh p... que me perdi " ficaria bem a qualquer um dos comunicativos do OC mas , no entanto , a sua autoria é de um LC da ferrugem, na circunstância o Sr. Joaquim .
Um abraço amigo e bom Natal
E. Gomes"

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Solestício


Estamos no Solestício de Inverno. Um quadro a propósito, intitulado Paz na Terra, do artista gráfico Joe Jusko.

Clarinho, Clarinho, para Militar Perceber (E Não Só)

Não conheço o autor (nem sei se é ele o autor), nem o seu currículum.
No entanto considero este seu artigo, o qual reproduzo com a devida vénia, merecedor da nossa atenção (e meditação).
Votos de uma boa semana de trabalho!
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"Se a Grécia Entrar em Bancarrota, Portugal não Dura Mais Que Umas Semanas.
De acordo com as notícias desta semana, o governo está empenhado na actualização do regime jurídico do casamento. O PSD está empenhado em ouvir escutas telefónicas para aferir o carácter moral do primeiro-ministro. O PCP e o BE estão empenhados em que os mesmos magistrados que não conseguem guardar o segredo de justiça possam ter acesso às contas bancárias de qualquer pessoa, e a persigam se acharem que ela tem mais dinheiro do que devia. O CDS-PP está empenhado em tornar-se imprescindível nos jogos políticos da Assembleia da República. E os deputados estão empenhados em insultarem-se uns aos outros.

Se me permitem, e se não os distraio demasiado destes afazeres, gostava de recordar aos nossos governantes uns pequenos detalhes. 548 mil portugueses estão desempregados. Cerca de 1,850 milhões de portugueses recebem pensão de velhice, 300 mil recebem pensão de invalidez, e 380 mil recebem o rendimento social de inserção. Para apoiar estes 3,078 milhões de portugueses, trabalham somente 5,020 milhões de portugueses. Por sua vez, a remuneração mensal média de um trabalhador, depois de impostos, está algures entre os 720 e os 820 euros. Na população activa, por cada pessoa com um curso superior, existem duas pessoas que têm menos do que a quarta classe.

Talvez estes detalhes da vida das pessoas não sejam demasiado importantes para quem tem o olho na Europa. Mas, em Outubro, Portugal só exportou 2856 milhões de euros em bens; importou 4502 milhões. A riqueza que produzimos num ano não chega para pagar o que devemos aos estrangeiros. De bons alunos vaidosos nas cimeiras internacionais, seria bom que os nossos líderes se preparassem para o novo papel de convidado que foge para a casa de banho quando se aproxima um credor.

Quatro países na UE estão com problemas financeiros semelhantes aos de Portugal, de acordo com as taxas de juro que têm de pagar aos credores. O Reino Unido e a Irlanda responderam com medidas dolorosas, que na Irlanda incluem cortes no salário dos funcionários públicos até 20%. A Grécia e a Itália, tal como Portugal, preferem assobiar para o lado. Os especuladores já começaram a atacar a dívida grega e fala-se do risco iminente de bancarrota do país. Se a Grécia cair, Portugal não dura mais que umas semanas.

Eu sei que, infelizmente, muitos comentadores estão há décadas a anunciar o fim da nossa economia, pelo que os governantes estão habituados a ignorar estes avisos. Mas depois de olhar para estes factos, como é que quem jurou servir Portugal pode passar o tempo a distinguir uniões de facto e casamentos, ou obcecado em saber se José Sócrates trata o amigo por “Mando” ou “Varinha”?
Ricardo Reis - Professor de Economia, Universidade de Colúmbia
JORNAL I 12.12.2009"