TÃO COITADINHOS QUE NÓS SOMOS!
Simplesmente, suspeito que se há cinco anos nos tivessem feito a pergunta, daríamos a exacta mesma resposta, e assim sucessivamente até ao nostálgico tempo dos Descobrimentos, que convencionamos ter sido o El Dourado nacional.
Suspeito, sim senhora, que adoramos a postura de “coitadinhos”, de vítimas de governantes, políticos, chefes, sogras, colegas, polícias e o que for. Suspeito que continuamos convencidos de que “alguém”, que não nós mesmos, vai resolver os nossos problemas. Suspeito que nos comparamos sempre com os “melhores da aula”, não para nos esforçarmos para subir no ranking, mas porque temos a secreta esperança de que eles desistam e se juntam a nós, neste meio termo em que, tantas vezes, nos deixamos andar.
Não, não enlouqueci (pelo menos acho que não), e sei perfeitamente que atravessamos uma crise económica profunda. Mas sei que a maioria de nós, apesar disso, vive melhor do que os nossos pais, e muito melhor do que os nossos avós. Os nossos filhos sobrevivem ao parto, vão à escola em lugar de trabalharem numa fábrica, os nossos cuidados de saúde são muito melhores do que eram e, apesar de existirem bolsas de pobreza que sem dúvida nos envergonham, almoçamos e jantamos melhor do que há cem anos, e emigramos em melhores condições, e para ir ao encontro de melhores oportunidades, do que os nossos antepassados próximos. E, apesar das alegadas ameaças de “asfixia”, Portugal é um país livre e democrático. E sim, temos sol. Decididamente, temos que arranjar maneira de dar a volta ao pessimismo, de apreciar o que temos.
Afinal, só vivemos uma vez."









