segunda-feira, 15 de junho de 2015

Clube Militar Naval

A foto, dizem, é de 1934 e mostra o palacete que foi sede do CMN de 1935 a 1989.

IMPORTÂNCIA DO MAR

(USS George Washington)

Escreveu Sir W. Churchill, na sua "História de Guerra":
"A batalha do Atântico foi o factor dominante de toda a guerra. Nunca pudemos esquecer, mesmo por momentos, que qualquer coisa em qualquer parte, em terra, no mar ou no ar, dependia em última instância ou sempre, do que se sucedia no mar".

domingo, 14 de junho de 2015

REGATA LISBOA - BERMUDAS

(A Ursa Maior)

Dia 14 de Junho de 1964. Por ser domingo é dia de folga. Alguns OCeanos foram para a praia (do Castelo) onde convivíamos com a marinhagem, e se aprendia com os mais antigos o que era ser homem do mar. Para refrescar abria-se a boca de incêndios e regavamo-nos com água do mar.
Foi por esta altura que aconteceu o primeiro insólito. A Sagres navegava com o odómetro mecânico na água. O OCeano de quarto à navegação foi fazer a leitura do odómetro e verificou espantado que os ponteiros não se moviam, velocidade zero o que não era verdade. Constatou-se que o hélice tinha desaparecido, teria sido algum tubarão mais esfomeado que o confundira com um peixe e que o engoliu.
À noite depois do jantar, já sem luz diurna vinha o instrutor de Navegação sempre com o bivaque na cabeça ( o nosso querido amigo então 1º ten. Cyrne de Castro) pregar uma sabatina de estrelas aos OCeanos de quarto; Sr. Cadete que estrela é aquela?, e aquela outra?. e assim por diante, e lá nós nos tinhamos que espremer a identificar "a olho" as estrelas. Não nos podíamos enganar pois ele conhecia os céus como as palmas das suas mãos. 

sábado, 13 de junho de 2015

REGATA LISBOA - BERMUDAS


Sábado 13 de junho de 1964, dia de Santo António.
Hoje houve sardinhas (congeladas) assadas. Creio que durante toda a viagem foi o único mimo.
Por questões de logística o rancho era "único", igual para todos, tendo os cadetes o privilégio de serem os últimos a serem servidos. No mar a nossa companhia eram os golfinhos que ao som dos assobios da guarnição se aproximavam da Barca e nadavam paralelos ao nosso rumo, depois seguiam para a sua vida.

Escreve o Cadete Simões Teles:
"Navegamos há dois dias com vento de NE. O odómetro oscila entre os 9 e os 11 nós. Reina a satisfação a bordo. Não voltamos a avistar qualquer outro veleiro e isso dá-nos paradoxalmente uma sensação de confiança. Sabemos que com vento forte a Sagres anda mais que qualquer outro. As conversas, porém, buscam já outros temas. O "20" continua a apostar em como o Gorch Fock vai à frente. Creio que em jogo já estão duas grades de cerveja.
Não temos informação de qualquer espécie. Porém a bordo do Elcano, viaja um repórter da Rádio Nacional de Espanha. À tarde, ouvido à escuta, junto à telefonia. As reportagens vão-nos elucidando um pouco sobre a regata. O homem é falador. Anda constantemente na nossa boca uma das frases das primeiras  reportagens. "Com uma manobra mui hábil de nuestro comandante, el bergantim goleta, Juan Sebastian d Elcano hay contornado la isla de Hierro". Com certeza diz coisas que não sabe. Nós inventamos as restantes.
Julgamos o veleiro espanhol e o Libertad, argentino, a navegarem juntos, bastante para trás de nós. Do alemão nada se sabe".

Viemos a saber que mal o vento refrescava, o alemão carregava imediatamente os sobres e entremastos altos, por precaução. Esta precaução seria devido ao trauma de o veleiro "Pamir" navio escola da marinha mercante alemão ter naufragado debaixo de um temporal, nos anos 50,  em que não chegou a carregar pano, tendo morrido quase toda a guarnição e os cadetes.

OCEANOS


Foi a 13 de Junho de 1942 que nasceu aquele que viria a ser o OCeano Alfredo Andresen Guimarães.
Um grande Abraço de parabéns e que se repitam por muitos anos.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

O capitão instrutor

Até, pelo menos, 1966 não havia espingardas G-3 na Escola Naval, nem se ensinava o respectivo manejo de arma; o mesmo sucedia nas outras escolas da Armada, com excepção dos Fuzileiros, já praticantes desta matéria. Quando parti para comissão em Moçambique na "Vasco da Gama", o navio estava equipado com espingardas G-3 para uso da Força de Desembarque, que as utilizava amiúde, mas nada de ordem unida ou manejo de arma. Certo dia na cidade da Beira o navio teve que dar um pelotão para uma cerimónia militar, talvez por ocasião do 10 de Junho, sendo eu nomeado para comandar a força. Aqui levantou-se um problema, porque todos os oficiais, sargentos e praças sabiam somente manejar a Mauser. Todos? Não. Descobrimos que o capitão do navio, o único grumete barra 66 a bordo, já tinha recebido instrução de G-3. E foi assim que sob a superior orientação do grumete mais marreta se treinou o pelotão, que se apresenta na fotografia e não fez má figura.

REGATA LISBOA - BERMUDAS


O nosso cronista OCeano Simões Teles no seu relato não especifica o dia de hoje.
Vou lembrar a forma do detalhe de mastros na viagem. Os "Permanenentes"  de cada verga eram  praças experientes e que ocupavam o lais da verga.
O pessoal detalhado para "Sobre e Joanete" era constituído pelo permanente, a seguir um cadete a um bordo, no outro bordo no lais era o outro permanente e dentro era um grumete. 4 homens constituíam esta equipa.
Para "Velachos"e também para as "Gáveas" o detalhe tinha  8 homens; o permanente num lais, a seguir um cadete, depois um marinheiro e dentro um grumete, do outro bordo o permanente, cadete, grumete e marinheiro.
Quer para o "Traquete" quer para o "Grande" o detalhe previa 10 homens, havendo mais im marinheiro que ocupava a posição junto ao mastro.
Depois havia o pessoal no convés encarregue das "ostagas", "adriças", "carregadeiras" e "escotas".
No mastro da "mezena" o pessoal trabalhava todo ele no convés.
Também quanto ao "Gurupés "  o pessoal trabalhava no convés ao içar as velas e ao arrear algum dele ia para o mastro.
O responsável por cada mastro era um Sargento Manobra, o Contra-Mestre.
Outro pormenor curioso é o de a escada de BB do convés para o tombadilho ser reservada ao Comandante da barca; só o Mestre é que podia utilizá-la. O comandante quando estava no tombadilho ao ocupar um bordo, levava a que o pessoal de quarto se mudasse para o outro bordo, tradição do antigamente que permitia visibilidade por parte da guarnição em relação ao seu comandante.

EFEMÉRIDES NAVAIS

(Corv. B. Dias, 1º navio da AP a usar  propulsão a vapor)

A 12 de Junho de 1858, o Infante D. Luís, mais tarde rei, foi nomeado comandante da corveta "Bartolomeu Dias". Foi o único membro da casa real portuguêsa que fez carreira na Marinha Portuguêsa.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

REGATA LISBOA - BERMUDAS

( O Danmark)

Seguindo o relato do OCeano Simões Teles. Estamos a 11 de junho de 1964.

Ainda com a ilha de Palma à vista; "Pela popa surgiu uma vela, depois outra, do mesmo mastro, e desapareceram no horizonte uma hora depois. Nos topes do "Grande" e do "Traquete" quase todos nós fazíamos conjecturas. A Sagres singrava a 5 nós. À tarde, por volta das 16,00 alterou-se francamente o rumo e, com o Sol na proa encetamos a 2ª parte da REGATA.
À nossa frente o Atlântico imenso e, lá longe, a 2 000 milhas, as ilhas Bermudas, a nossa meta. Iamos entrar na fase mais importante e mais difícil.
A vida a bordo continuo. Vida dura a de marujo".

A partir de agora só teremos terra à vista quando chegarmos ao nosso destino. Soube-se mais tarde que o veleiro avistado era o "Denmark", fragata ligeira e que se movimentava bem com ventos fracos.
Agora alguns OCeanos já empunhavam o seu cachimbo quais lobos do mar. E o "20" sempre convicto que o alemão já nos dera um bigode. Como o Alan Villiers era amigo de um tio meu (cap. no bacalhau) tentei obter alguma informação que o Comandante tivesse acerca da posição dos outros veleiros, mas ele com o seu sorriso bonacheirão baldou-se sempre.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Enfermeiras Paraquedistas - Homenagem


Hoje, no XXII Encontro Nacional de Homenagem aos Combatentes, junto à Torre de Belém, foram homenageadas as primeiras mulheres portuguesas militares, as Enfermeiras Paraquedistas, que prestaram serviço na FA de 1961 a 1974.
Actuantes com entusiasmo, coragem e abnegação nos vários teatros de operações na guerra de África, viram final e publicamente reconhecida com inteira justiça a sua acção meritória, quer profissional quer moralmente junto daqueles que inúmeras vezes necessitaram do seu apoio e conforto, fosse na assistência in loco fosse nas evacuações para os hospitais territoriais ou para Lisboa.
O blogue “Água aberta... no OCeano” aqui lhes presta também a sua homenagem.

Nota: Foi publicado há não muito tempo um livro, com depoimentos seus do que foi a sua vida militar, intitulado “Nós, Enfermeiras Paraquedistas”, que vale bem a pena ser lido (passe a publicidade), principalmente por aqueles militares que serviram naquelas paragens.

REGATA LISBOA - BERMUDAS

(Mar calmo)

Continuando com o relato do OCeano Simões Teles:

Dia 10 de Junho de 1964, feriado nacional
"Estivemos um dia à vista da ilha de Palma"
Nesta altura a calmaria era total. Os quartos aos mastros passavam-se sem qualquer actividade. Para quebrar a monotonia ouvíamos as discussões do "20" com o pessoal, a algaraviada do "Papagaio" e ao fim da tarde eram os diálogos entre o Penicheiro Raúl Leitão e o Lourinhense Director de Instrução Com. Sousa Machado que nos proporcionavam alguns momentos de gozo.

EFEMÉRIDES NAVAIS

(Gonçalo Coelho)

A 10 de junho de 1503 parte para a América do Sul em busca de uma ligação Atlântico - Pacífico, uma armada de 6 caravelas sob o comando de Gonçalo Coelho.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Almoço OCeânico (09Jun15)

Hoje tivemos o nosso 6º encontro gastronómico de 2015 que, como sempre, foi animado. Porém, a participação limitou-se a uma escassa dúzia de OCeanos. Houve muitos faltosos: uns porque andam adoentados ou porque estão ocupados nas suas tarefas familiares e, outros, porque estão ausentes da capital a cuidar das suas quintas ou simplesmente porque estava muito calor. Numa mesa, alguns dos 12 OCeanos presentes lembraram o episódio dos 12 valentões lusitanos conhecidos pelos “12 de Inglaterra”:

       Recolhe o Duque os doze vencedores
       Nos seus paços, com festas e alegria;
       Cozinheiros ocupa e caçadores,
       Das damas a fermosa companhia,
       Que querem dar aos seus libertadores
       Banquetes mil, cada hora e cada dia,
       Enquanto se detêm em Inglaterra,
       Até tornar à doce e cara terra.

       (Estância 67 do Canto VI d’Os Lusíadas)



a) para ampliar, "clicar" sobre as imagens;
b) para aceder às imagens individualizadas e transferíveis seguir esta ligação.

REGATA LISBOA - BERMUDAS

(Ilhéu do Farol, Porto Santo)

Continuando com o relato do OCeano Simões Teles.

"A navegar entre 10 e 12 nós, avistamos o Farol de Porto Santo e cerca de 30 horas depois tínhamos a ilha de Palma, Canárias à vista. Antes porém tivemos um encontro no mar: o "João de Lisboa" surge no horizonte e aproxima-se de nós.
Todos se precipitam para a borda; e eis que o velho calhambeque nos diz na sua linguagem morse e pela fonia, que encontrara outro veleiro, outra barca, 30 milhas à nossa frente.
Foi um balde de água fria. Barcas como a Sagres, ou o Alemão ou o Lehmekul norueguês. Era opinião geral que devia ser o Gorch Fock. Já não seriamos os primeiros a rondar as Canárias."

A falta de informação passada pelo João de Lisboa retrata o alheamento da Marinha pela nossa regata. Não nos soube dizer qual o nome da outra barca ou se a mezena era partida ou não. Só o G.F. e a Sagres tinham mezena partida, a outra barca o Stratsraad Lehmkul tinha uma mezena inteira. Tirando o Elcano,espanhol, os restantes veleiros armavam como fragata (pano redondo no mastro da mezena). Neste dia o "Papagaio", a sua alcunha derivava não só da forma do seu apêndice  nasal como palreava permanentemente, que era o permanente das gáveas apanhou uma "piela" monumental com a triste notícia. Entretanto nós olhávamos para as "pilot charts" a tentar descortinar uma rota com mais probabilidades de vento. Na cabina de navegação havia 3 cartas; a carta de navegação dos cadetes, a carta de navegação do navio e uma terceira carta se estava guardada e que dela só tinham conhecimento directo para além do comandante e do navegador o Cap. Alan Villiers, australiano de nascimento, autor do famoso livro "A Campanha do Argus" e que ia como convidado a bordo. Este senhor era muito experiente em navios veleiros e grande admirador das descobertas portuguêsas.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

REGATA LISBOA - BERMUDAS

(O Gorch Fock)

Continuando o relato do OCeano Simões Teles.

"Finalmente a nortada chegou. e a Sagres das cruzes vermelhas, inconfundível deixou as costas de Portugal, e, com todo o pano caçado e bem cheio, decidiu-se a navegar, a navegar. No tombadilho, o Comandante e oficiais mostravam-se satisfeitos.
É extraordinária a influência da velocidade no espírito da cada um e no estado geral de todos. Nessa noite houve barulho na coberta, houve discussões e manifestações de júbilo. Devíamos ir à frente. Mas a crença irredutível na vitória estava bem presente em todas as mentes.
Apenas o "20" era um céptico. A sua confiança no veleiro alemão era ilimitada. As discussões e apostas com ele cresciam.
Os serviços de bordo, os quartos aos mastros, e os quartos à ponte sucediam-se inexoravelmente. Mas todos aceitámos com vontade e satisfação as tarefas que nos cabiam".

A bordo havia três praças "manobra" que sobressaíam, todos oriundos da "Fragata": o "20", o "69" e o "fragata". Os dois primeiros eram marinheiros e o outro era grumete tendo sido promovido a marinheiro durante a regata. Eram uns "marinheirões". O "20" quando em Lisboa foi visitar o Gorch Fock com intuito de ver como era o veleiro, e ficou com uma ideia muito clara sobre o veleiro alemão, daí a sua confiança no alemão.
De notar que os OCeanos tinham duas escalas de quarto sobrepostas: quartos aos mastro e quartos à ponte. Havia dias que podíamos ter 10 horas de quarto, Nos quartos aos mastros desempenhávamos as mesmas funções das praças, e nos quartos à ponte fazíamos desde vigia, marinheiro do leme até à função de adjunto do oficial de quarto; sem esquecer as observações astronómicas, desde o crepúsculo matutino até ao vespertino, nesta actividade tínhamos o Instrutor de navegação sempre à perna ( grande camarada e formador Com. Cyrne de Castro).