sexta-feira, 18 de junho de 2010
Postal de Goa (XXIX)
Na sequência da 2ª Guerra Mundial verificou-se uma onda descolonizadora, que se iniciou no continente asiático e depois alastrou a África. Na primeira vaga dessa onda destacou-se a independência da Índia, que se tornou no segundo país mais populoso do mundo e que foi reconhecida pela Grã-Bretanha no dia 15 de Agosto de 1947.
A independência da Índia britânica foi um assunto complexo e conduziu à formação de dois estados separados por profundas rivalidades religiosas – a Índia hindu e o Paquistão muçulmano. Gandhi ainda tentou evitar a luta entre hindus e muçulmanos mas, desde então, a região tem sido palco de algumas guerras, muitas confrontações e recíprocas ameaças nucleares, tendo-se tornado num centro permanente de ódios, instabilidade e preocupação mundial.
Depois de 1947 Portugal não aceitou a reivindicação indiana para transferir a administração portuguesa do Estado da Índia para a nova soberania. Salazar confiou nas dificuldades indianas perante as ameaças paquistanesa e chinesa e não compreendeu que os ventos de mudança se aproximavam dos territórios ultramarinos portugueses, como já acontecera com os enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli que tinham sido ocupados.

As comemorações decorreram entre 4 de Março e 13 de Novembro de 1960 e foram grandiosas, com um programa que incluíu desfiles navais, paradas militares, exposições, concertos, inaugurações, sessões solenes, conferências e colóquios, torneios desportivos, edição de publicações, emissão de moedas e selos comemorativos, inauguração de estátuas, bustos, lápides e padrões.
O ponto mais alto das comemorações aconteceu entre 2 e 8 de Agosto de 1960, com a visita a Portugal do Presidente Juscelino Kubischek de Oliveira, o Desfile Naval de Sagres, a edição dos Portugaliae Monumenta Cartographica e a inauguração do Padrão dos Descobrimentos em Lisboa.
As comemorações também tiveram enorme relevância no Ultramar, tendo sido constituída uma Comissão Ultramarina presidida pelo Comodoro Sarmento Rodrigues, que tinha um programa próprio para cada província, embora integrado no programa geral.
No Estado da Índia vivia-se um período de grande preocupação devido à ameaça da invasão dos territórios pela União Indiana, mas foi cumprido um programa muito diversificado de comemorações, no qual participou a Marinha e a guarnição do aviso “Afonso de Albuquerque”. Entre outras iniciativas, foram inauguradas estátuas de Camões em Velha Goa e do Infante D. Henrique na cidade de Vasco da Gama. No encerramento das comemorações o governador-geral do Estado da Índia, Brigadeiro Vassalo e Silva, inaugurou um padrão comemorativo dos descobrimentos, erguido em Pangim, nas margens do rio Mandovi.
O Padrão Comemorativo dos Descobrimentos em Pangim
A cerimónia começou pela benção do monumento pelo Patriarca das Índias Orientais, D. José Vieira Alvernaz, havendo depois o hastear de bandeiras, salvas de artilharia disparadas dos fortes da Aguada e dos Reis Magos e alguns discursos, incluindo aquele que proferiu o 2º Tenente Manuel Melo e Cunha.
Cinquenta anos depois o padrão comemorativo ainda se encontra no local, embora todas as suas letras tenham sido raspadas.
Nas minhas deambulações profissionais encontrei o mesmo padrão comemorativo em Dili (Timor Leste) e em Cacheu (Guiné-Bissau), os quais tive a oportunidade de fotografar há poucos anos, sendo curioso constatar que todos eles venceram as vicissitudes históricas por que passaram esses territórios.
Dili (Timor Leste) e Cacheu (Guiné-Bissau)
Os mesmos padrões certamente também terão sido colocados em outros locais do espaço ultramarino português.
Onda do
A.R.Costa
@
13:59 –
ninguém comentou
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Encontro Nacional de Combatentes 2010
Presidiu às cerimónias o Alm. Vidal Abreu.
Usaram da palavra, para além do Presidente, o "OCeano" Pires Neves, por ele convidado para ler um texto alusivo ao combate da lancha VEGA, onde como é sabido morreu em combate o seu comandante Ten. Oliveira e Carmo, e a sua viúva Srª D. Maria do Carmo Oliveira e Carmo.
Reproduzo o texto lido pelo Pires Neves:
O ÚLTIMO COMBATE DA “VEGA”
A lancha Vega, comandada pelo Segundo-Tenente Jorge Manuel Catalão de Oliveira e Carmo, tinha oito homens de guarnição, 17 metros de comprimento, deslocava 18 toneladas e estava armada com uma simples metralhadora de 20 mm.
O radar, posicionado na escala das vinte e quatro milhas, revelou um grande navio navegando em ocultação de luzes, a uma distância de cerca de doze milhas da costa. Oliveira e Carmo reduziu a velocidade e a Vega aproximou-se da lancha Folque também ela em missão de soberania nas águas de Diu.
O navio desconhecido – provavelmente hostil - continuava a sua rota, estando agora apenas a milha e meia de distância da Vega, que por ordem do comandante navegava na sua direcção.
Entretanto a Vega abordara a Folque e a sua guarnição embarcara no navio de Oliveira e Carmo, sendo depois a Folque abandonada e inutilizada.
O navio inimigo - identificado como um cruzador – abriu então fogo de metralhadora pesada, o que levou a Vega a rumar em direcção a Diu e a fundear junto da Fortaleza, onde desembarcou a guarnição da Folque e mais dois elementos da Vega, estes com missões específicas.
Às seis e quinze da manhã Oliveira e Carmo suspendeu ferro e dirigiu-se novamente ao navio intruso, agora a duas milhas de distância; era realmente um cruzador com a bandeira de combate já bem visível no mastro e a bandeira da União Indiana içada a ré.
O choque estava por pouco. O Comandante ordenou que se voltasse ao fundeadouro inicial e fardou-se de branco na pequena câmara, preparando-se para, segundo ele, lutar e morrer com mais honra, conforme as tradições da Marinha de Guerra.
Eram sete horas. Jactos inimigos bombardeavam a cidade e a fortaleza, num rádio portátil ouvia-se o programa Alvorada Musical. Mas logo a seguir a Emissora de Goa calou-se.
O Comandante leu à pequena guarnição uma mensagem do Estado-Maior da Armada, ordenando a resistência e o combate até ao limite.
Oliveira e Carmo fechou a leitura deste comunicado com estas suas palavras: “Rapazes sei que vocês vão cumprir, assim como eu… E que mais vós quereis! Acabarmos numa batalha aero-naval. Fizemos parte da defesa de Diu e da Pátria e vamos cumprir até ao último homem e à última bala se possível”.
Despediram-se, beijaram os retratos da família, que guardaram nos bolsos do uniforme. Às sete e trinta voltaram dois jactos indianos a atacar a fortaleza. “Fogo nesse, Ferreira, dá-lhe!”, ordenou o comandante ao marinheiro artilheiro.
Entretanto, um incêndio deflagrara na casa das máquinas e rapidamente se estendera à ponte e a pequena lancha, a arder, com os motores avariados pelo fogo inimigo, teve que ser abandonada. Agonizante, o Comandante beijou o retrato da mulher e do filho. Os sobreviventes tentaram arrear o bote, levando com eles os feridos.
Novo ataque dos aviões: desta vez, a rajada atingiu Oliveira e Carmo no peito e matou-o. O grumete-artilheiro Ramos foi ferido na perna esquerda e o marinheiro-telegrafista Costa no ombro e nas costas; o marinheiro-artilheiro Aníbal Jardim, viu a perna esquerda cortada pela canela e os outros três marinheiros incólumes trataram de socorrer os seus camaradas feridos, empurrando-os para uma balsa, pois o escaler de bordo, furado pelos disparos do inimigo, estava a afundar-se.
À deriva, enquanto rebentavam as munições, com estrondo, lançando colunas de fumo para o ar, afastando-se e deixando a água entrar a rodos, a Vega sumiu-se nas águas do Índico, e com ela os corpos sem vida de Oliveira e Carmo e do marinheiro artilheiro António Ferreira. Muito ferido, o marinheiro Aníbal Jardim também não sobreviveu, chegando a terra já cadáver.
Os outros cinco elementos da guarnição conseguiram salvar-se ajudando-se uns aos outros, dois seriamente feridos e três ilesos, depois de sete horas no mar, a nadar.
Segundo os indianos, o fogo da Vega, atingira três aviões, sem que fossem apurados os danos causados, neste que foi último combate da marinha de guerra portuguesa no Oriente.
Assim morreu Oliveira e Carmo, um herói, um herói entre outros que sempre souberam e saberão enaltecer e honrar o bom nome de Portugal.
Onda do
José Cruz
@
19:21 –
tem 9
comentários
Postal de Goa (XXVIII)

Em Janeiro de 1960 o Governador Vassalo e Silva inaugurou o Mercado Municipal de Mapuçá, quando o Estado Português da Índia passava por uma fase de grande investimento público e de muito dinamismo. Uma placa colocada à entrada assinala essa inauguração, mas porque foi colocada a razoável altura, tem podido resistir aos estragos causados pelos novos tempos. Dizem as crónicas que o novo mercado era moderno, ordenado, espaçoso e com muitas lojas, sendo considerado um modelo em termos de funcionamento e de higiene, pelo que se veio a tornar muito popular em todo o território de Goa.
O mercado servia Mapuçá, que é a maior cidade do norte de Goa e que se localiza a uma distância de 13 quilómetros de Pangim. A urbe adquiriu o estatuto de vila em 1859 e em 1933 foi classificada como cidade.
Com a acentuada evolução demográfica verificada depois de 1961, a população de Goa mais do que duplicou nos últimos 50 anos. Tudo evoluiu de forma semelhante – o progresso, a economia, a pressão urbana, o trânsito, o sistema escolar, o turismo, a oferta hoteleira, a produção de lixo e tudo o mais.
Mapuçá cresceu e atraiu recursos, actividades e pessoas, tornando-se uma cidade cheia de movimento, mas também um exemplo de muito mau ordenamento urbano. O seu nome derivou para Mapusa* e o Mercado Municipal também extravasou os seus limites iniciais e, gradualmente, tornou-se numa enorme feira que se realiza todas as 6ª feiras ao ar livre e que, como sucede em toda a parte com este tipo de áreas comerciais, se converteu num espaço anárquico e desordenado.
O Mapusa Friday Market é a maior feira de todo o Estado de Goa, nela convergindo gente de todo o território para comprar e para vender e, naturalmente, muitos turistas atraídos pelo pitoresco que este tipo de feira tem e pela curiosidade que suscita.
Na feira há lojas de tecidos e de ferragens, ourivesarias e barbearias, alfaiatarias e relojoarias, mas vende-se de tudo: tecidos, sarees, roupas, T-shirts, jeans, calçado, mobiliário, palamenta, ferramentas, louças, brinquedos, flores, plantas decorativas, frutas, comida, legumes, óculos, relógios, especiarias, chouriços, carne verde e peixe seco.
Os turistas percorrem aquele vasto espaço, fotografam e demoram-se sobretudo na apreciação das peças de barro e na observação das antiguidades e velharias, enquanto os coleccionadores em geral e os numismatas em particular, procuram as moedas do Estado da Índia que alguns comerciantes por vezes ainda guardam para negociar.
Alguns turistas conseguem descobrir e comprar moedas, porcelanas da China e imagens indo-portuguesas, desconhecendo que se trata de imitações quase perfeitas, pois as antiguidades de valor de há muito que desapareceram dos circuitos comerciais de Goa.
O Mapusa Friday Market é não apenas um espaço comercial, mas é também um espaço sociológico muito singular, onde se podem observar as diferentes classes sociais e as diferentes sensibilidades religiosas goesas.
*Com a recente influência inglesa e com a introdução dos teclados - sem ç e sem acentos - a cidade passou a ser designada por Mapusa. Nada que também não tenha acontecido, por exemplo, aos Gonsalves, aos Colacos, aos Lourencos, aos Mendoncas e aos Braganzas, mas também a Mozambique)
Onda do
A.R.Costa
@
17:26 –
ninguém comentou
10 de Junho
Neste 10 de Junho a nota mais inesperada foi dada pelo discurso de António Barreto em defesa da instituição militar e dos veteranos. Foi uma pedrada no charco, com a originalidade de vir de um opositor ao regime que não fez a tropa. Em Belém a invocação de Oliveira e Carmo fez focalizar as comemorações na Marinha, onde pontificaram o Vidal Abreu e o Pires Neves, para além da "nossa" sra. de Oliveira e Carmo. Em Faro, a cerimónia militar era comentada na TV, não pelos habituais três representantes dos Ramos, mas sim por quatro, sendo o quarto representante do CEMGFA; que isto agora é preciso acentuar bem quem manda... A coitadinha da locutora lá ia fazendo perguntas idiotas e resolveu falar de submarinos. Perguntou como era possível estarem os submarinos a chegar e não haver missão para eles. Deixou o representante do CEMGFA encravado, a gaguejar que o sr. General não foi bem entendido, etc. Claro que o sr. General já se vingou ao mandar fechar o Hospital de Marinha. Enfim, todos os anos pela Primavera...
Onda do
J.N.Barbosa
@
15:38 –
ninguém comentou
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Almoço OC - 8.6.2010 / mais fotos
Da autoria do outro fotógrafo oficial Trigo Allen, aqui ficam mais umas chapas:
Onda do
José Cruz
@
19:36 –
ninguém comentou
terça-feira, 8 de junho de 2010
Almoço OC (08Jun10)
Onda do
Luís Silva Nunes
@
17:35 –
ninguém comentou
sábado, 5 de junho de 2010
ALMIRANTE ROSA COUTINHO
Conheci o Almirante Rosa Coutinho em Moçambique e com ele mantive alguns contactos, durante a minha comissão de serviço nos Comandos da Defesa Marítima do Porto de Porto Amélia, dos Portos do Lago Niassa e no Comando Naval de Moçambique, no período de Março de 1967 a Maio de 1969.
O Almirante Rosa Coutinho era então capitão-tenente e Chefe dos Serviços de Dragagens do Serviços de Marinha de Moçambique, lugar que desempenhava com grande inteligência e capacidade realizadora, distinguindo-se pelos muitos e bons trabalhos de hidrografia nos portos de Moçambique em geral e, em particular, no da Beira onde terá conseguido abrir e estabilizar a respectiva barra e canais de acesso. No que concerne a infra-estruturas essencialmente militares, há que destacar as intervenções por si idealizadas, estudadas e desenvolvidas nos planos inclinados das Oficinas Navais dos Comandos da Defesa Marítima do Porto de Porto Amélia e dos Portos do Lago Niassa que possibilitaram a plena operacionalidade daqueles planos inclinados que por deficiência de concepção, projecto e construção tinham grandes limitações operacionais, em particular o de Porto Amélia, situação que dificultava a sua utilização, impedindo-a mesmo no caso das Oficinas Navais de Porto Amélia.
Os trabalhos projectados, desenvolvidos e realizados pelo Serviço de Dragagens dos Serviços de Marinha de Moçambique, chefiados pelo então comandante Rosa Coutinho, pela sua alta qualidade técnica e operacional, apesar das dificuldades em equipamento e pessoal técnico especializado, eram altamente apreciados e elogiados a nível de Governo-Geral de Moçambique, o que prestigiava a Marinha e o seu bom nome. O comandante Rosa Coutinho era frequentemente elogiado e referenciado pelas suas qualidades de militar brioso inteiramente dedicado à sua profissão de oficial de Marinha e de engenheiro hidrógrafo. A sua inegável competência técnica e profissionalismo, inequivocamente reconhecido, faziam com que com elevada frequência fosse chamado a pronunciar-se sobre estudos, projectos, obras e situações problemáticas no âmbito dos Caminhos de Ferro de Moçambique. Entidade que superintendia na exploração dos portos, aeroportos, estradas e caminhos-de-ferro de Moçambique.
O comandante Rosa Coutinho enquanto Chefe do Serviço de Dragagens dos Serviços de Marinha de Moçambique tinha uma preocupação permanente, para além dos aspectos de natureza estrutural, técnica e operacional dos projectos, construções e obras de que era incumbido e responsável, os aspectos económicos e financeiros em geral e em, particular, os respectivos custos de realização e construção. Na Catembe, com aproveitamento de sobras e recuperação de materiais, e com fundos obtidos com a venda de inertes provenientes das dragagens e desaterros dos trabalhos realizados e executados pelo Serviço de Dragagens que chefiava, construiu um bairro para alojamento de pessoal, em particular, o pessoal auxiliar. O de menos recursos e posses.
Possuidor de grande inteligência e capacidade de realização, distinguiu-se em Moçambique como militar e engenheiro hidrógrafo, granjeando grande estima e consideração nos meios militar e civil, onde deixou obra.
Foi escolhido pelos oficiais do MFA da Armada, para na sequência do movimento militar de 25 de Abril de 1974, integrar a Junta de Salvação Nacional, com 48 anos e sendo capitão-de-fragata, em consequência do seu enorme prestígio profissional e militar. Naquela data torna-se figura pública, sendo o mais jovem e menos graduado membro da JSN.
Teve uma carreira profissional de militar brioso e patriota, dedicado a tempo inteiro à sua profissão de oficial de marinha e engenheiro hidrógrafo. Na política, como se sabe, teve uma breve carreira onde como patriota coloca sempre acima de tudo os interesses de Portugal.
Possuidor de grande inteligência, coragem e determinação não hesitava perante situações inopinadas e intempestivas, correndo os respectivos riscos e assumindo as responsabilidades das suas decisões. As suas tomadas de posição e as suas decisões eram claras e isentas de ambiguidades. Tinham por objectivo primeiro, e último, o interesse do País num horizonte alargado de médio e longo prazo. Eram orientadas e desenvolvidas por um pensamento estratégico que visava para além dos interesses imediatos, de curto prazo.
Pelo seu forte empenhamento na missão de Presidente da Junta Governativa de Angola que lhe foi confiada pela JSN, é injustamente caluniado e o seu bom nome posto em causa por aqueles que querem, e teimam em ver, a suas acções e o seu desempenho no processo de descolonização de Angola ao serviço de interesses estranhos a Portugal. É uma visão premeditada, obstinada e redutora de analisar e avaliar o seu desempenho, as suas opções e o seu protagonismo no difícil e conturbado processo de descolonização de Angola. Toda a sua acção teve por objectivo fundamental, e nada mais que isso, o alcance e defesa dos interesses nacionais, jamais optando por orientações e, ou, interesses alheios à causa nacional.
Portugal para se democratizar tinha, imperiosamente, de descolonizar sendo o processo angolano o mais complicado, desde logo pela existência de três Movimentos de Libertação, com graves problemas e fracturas internas, as ingerências externas das República do Zaire e República Sul Africana / Namíbia (Sudoeste Africano) e a situação politica e militar em Portugal à data. Em 1 de Janeiro de 1975, no forte de São Julião da Barra, o então Presidente da República e Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, o General Francisco da Costa Gomes disse-me, durante uma audiência para tratar de assuntos relacionadas com as Forças Armadas Portuguesas destacadas em Angola, que a descolonização de Angola tinha de ser feita imperativamente o mais tardar até ao Natal desse ano de 1975. Isto, para que Portugal não se visse envolvido numa situação muito grave de consequências imprevisíveis para os interesses nacionais, nomeadamente, no que respeitava às Forças Armadas.
O Almirante Rosa Coutinho ao partir para Angola em finais de Julho de 1974, tinha conhecimento da situação complexa que ia encontrar de alteração permanente da ordem pública em Luanda, e não só, das dificuldades para dialogar e chegar ao cessar-fogo com os Movimentos de Libertação e da necessidade imperiosa de um acordo que, aceite e reconhecido internacionalmente, nomeadamente pela OUA (actualmente UA) e ONU, possibilitasse que Portugal procedesse à transferência de poder para os angolanos, com a salvaguarda dos interesses nacionais.
Num primeiro tempo e apesar da escassez de efectivos militares e de forças de segurança, quer em quantidade, quer em qualidade, exerce o esforço principal do exercício da sua autoridade na normalização possível e indispensável da ordem pública. Conseguida a normalização da ordem pública, e isto apesar das dificuldades por inacção e, ou, negligência dos seus mais directos colaboradores militares que tinha como Comandante-Chefe das Forças Armadas Portuguesas em Angola, e com a clarificação do processo politico e militar decorrente da demissão do General Spínola na sequência do 28 de Setembro de 1974, empenha toda a sua inteligência, esforço e sabedoria para chegar “à fala” com os responsáveis e decisores últimos dos Movimentos de Libertação. Isto, para que fosse possível à parte portuguesa negociar os indispensáveis acordos de cessar-fogo que, determinando o fim das hostilidades e actos de guerra, possibilitasse a normalização desejada e possível da situação em Angola, necessária ao início das negociações para o encontro de uma plataforma de entendimento político que fosse a base do acordo para a transferência de poder e independência.
Conseguidos os acordos de cessar-fogo e terminadas as hostilidades e acções de guerra, empenha-se no terceiro e derradeiro momento da sua missão de interesse nacional em Angola, criar as condições políticas, militares e materiais para que os três Movimentos de Libertação se encontrem em posições relativas semelhantes e equivalentes à data do início das necessárias negociações a realizar para o encontro da plataforma politica e militar que conduza ao indispensável acordo para a transferência de poder e independência. Apesar das dificuldades existentes, dos deficientes, e por vezes negligentes, empenho e profissionalismo dos seus mais directos colaboradores enquanto Comandante-Chefe das Forças Armadas Portuguesas em Angola, com a sua excepcional inteligência, visão estratégica, empenho e determinação consegue que, em consonância com os mais altos responsáveis nacionais, os três Movimentos de Libertação sejam reconhecidos internacionalmente pela OUA (actual UA) e ONU como os únicos e legítimos intérpretes da vontade e representantes dos interesses do povo angolano. Note-se, que só em Janeiro de 1975, nas vésperas da assinatura dos Acordos de Alvor, a OUA (actual UA) reconhece a UNITA como Movimento de Libertação e cessam as objecções que alguns países com assento naquela organização punham ao papel da FNLA enquanto organização nacionalista, ao pretender ser reconhecida como Movimento de Libertação.
As condições que conduziram à negociação e assinatura dos Acordos de Alvor e à sua aceitação nas instâncias internacionais OUA (actual UA) e ONU, são em muito fruto do seu esforço abnegado, do seu trabalho empenhado, da sua determinação e carácter. Foi esta a sua extraordinária interpretação e elevado trabalho no desempenho da missão que lhe foi confiada pela Junta de Salvação Nacional. Contexto onde sempre se portou e comportou, de forma clara e inequívoca, como português patriota e defensor dos interesses nacionais. Jamais, o seu envolvimento no processo de descolonização de Angola, enquanto militar de Abril, se desviou do espírito de Abril e dos seus valores, e se colocou ao serviço de interesses alheios aos de Portugal.
Esta é a minha homenagem ao Almirante Rosa Coutinho militar valoroso e patriota, marinheiro brioso e profissional a tempo inteiro a quem a Marinha muito deve. Cidadão dedicado, interessado e entregue aos valores de Portugal.
Até sempre camarada. Bem haja Senhor Almirante Rosa Coutinho
Onda do
Ramiro Soares Rodrigues
@
03:25 –
tem 1 comentário
terça-feira, 1 de junho de 2010
Pro memória
Para aqueles que ficam em Lisboa nesta semana de ponte, recordo que podem ir à abertura da minha exposição no Clube Militar Naval na sexta-feira às 1800. Aos outros convido a ir entre as pontes.
Onda do
J.N.Barbosa
@
23:47 –
tem 3
comentários
segunda-feira, 31 de maio de 2010
ORIGINALIDADES
Assim, com a devida vénia, transcrevo o último parágrafo do artigo de José Carlos de Vasconcelos, publicado na revista Visão, de 27 de Maio (lamento o atraso, mas só dedico às leituras os fins de semana):
.
“PORTUGAL TEM VÁRIAS originalidades, a mais recente das quais será ter passado a haver, de par com outras “instituições inorgânicas”, chamemos-lhe assim, a dos Antigos Ministros das Finanças. Trata-se de um grupo para discorrer sobre as teorias de Keynes, Friedman ou Krugman, para recordar os tempos de passagem pelo Governo ou para fazer umas grandes almoçaradas? Nada disso. Os Antigos Ministros das Finanças aparecem em tudo o que é sítio, desde os múltiplos média, com destaque para as televisões, às antecâmaras de diversos poderes e ao Palácio de Belém, a ensinarem ao País como se deve salvar o País. O País que este péssimo de Finanças, como se sabe, não apenas pelo que se passa agora, antes também porque, ao longo de décadas, eles, ou quase todos eles, o ajudaram a afundar quando foram ministros das Finaças. Com o devido respeito por alguns, que aprecio, isto é, pelo menos, surrealista!”.
.
Eu acrescentaria apenas, como dizia um nosso camarada mais antigo: “seria ridículo, se não fosse trágico!”.
.
Tenham uma boa semana de trabalho, ou de merecido descanso!
Onda do
Jorge Beirão Reis
@
09:01 –
tem 7
comentários
domingo, 30 de maio de 2010
"Estórias da nossa vida"
A Crise. Persiste!...
Em Setembro de 2007, teremos tido os primeiros sinais indicadores de pré crise, após a “descoberta” das “subprime”(hipotecas de altíssimo risco). A partir desta data, começou a percepção de que algo não estaria bem, como os políticos e demais comunicadores do “interesse público” vinham dizendo. E, se bem que lentamente, começou a diminuir a “confiança”, “ingrediente” fundamental à manutenção da ligação e interacção de todos os elementos constitutivos do sistema. Diminuição e quebra que se acentua, em particular, desde o Estio de 2008, quando tiveram início as grandes injecções de capital, directas e indirectas, em variadas instituições financeiras públicas e privadas, nos “USA” e na “UE”. ”Reengenharia Financeira” realizada pelos governos directamente e, ou, por instituições privadas com o aval do Estado. Estas intervenções, só por si, indiciam a tendência para uma concentração, se bem que de forma suave e lenta, nos mercados financeiros. Estas intervenções, tão contrárias aos princípios do não intervencionismo estatal, tão do agrado dos poderes instituídos, e que impuseram a adopção de políticas e medidas como moeda de troca das ajudas públicas, são divulgadas e justificadas como um “mal menor".
Começamos a ver, com alguma frequência, tentativas para convencer a opinião pública de que o pior já terá passado. Isto, para induzir no imaginário do cidadão de que já se descolou da estagnação e se começou a entrar na “antecâmara” do crescimento. Mas, será mesmo assim?
Com o súper endividamento e a falta de liquidez, o desemprego crescente, a rondar os 11%, a diminuição do poder de compra da população, ainda existirão meios para acorrer às situações de necessidade e, ou, tábuas de salvação? Ou assistiremos neste ano de 2010, infelizmente para desgraça nossa, a um contínuo definhar da actividade económica que se acentuará, “sem apelo nem agravo”, no último trimestre do ano? Será que então chegou a “CRISE”, uma queda profunda e inexorável, com deflação e depressão, em nada semelhante ou comparável com as crises a que assistimos, desde o choque petrolífero de 1973/1979? Semelhante nos efeitos à dos anos trinta do século passado? O “Grande “Crash de 1929”.
Oxalá as minhas dúvidas e interrogações não passem disso mesmo.
Passem uma boa semana. Até sempre. E, um Abraço.
Onda do
Ramiro Soares Rodrigues
@
20:20 –
tem 2
comentários
Postal de Goa (XXVII)

A Galeria parece não ter tido sequência porque Fernão Teles de Menezes, o 28º governador da Índia, em 1581 teve que mandar pintar dez retratos para actualizar a Galeria. Porém, com maiores ou menores interrupções, com melhores ou piores retratistas, a Galeria foi sendo regularmente completada e, em 1961, era constituída por cerca de uma centena de retratos pintados sobre madeira ou sobre tela, com dimensões médias de 2,64m x 1,32m.
As severas condições climáticas de Goa, designadamente a sua excessiva humidade durante os meses da monção, provocaram a deterioração de muitas pinturas, o que implicou muitas intervenções de restauro. A mais famosa delas foi feita em finais do século XIX pelo Capitão Manuel Gomes da Costa, que é criticada por todos os historiadores de arte que a ela se têm referido e que “se tornou o paradigma das brutalidades experimentadas pelas telas da Galeria”.
A degradação das pinturas acentuava-se e era muito preocupante, pelo que se sucederam as pressões para que a colecção fosse salva. Nesse contexto, em 1953 o Ministro do Ultramar autorizou que, com a finalidade de serem restaurados no Instituto de Restauro de Lisboa, viessem para Lisboa 6 retratos - D. Francisco de Almeida, Afonso de Albuquerque, Vasco da Gama, D. João de Castro, Diogo Lopes de Sequeira e D. Miguel de Noronha - e, mais tarde, o retrato de D. Francisco Mascarenhas.
Em 1961 ainda se encontravam em Lisboa os retratos de D. Francisco de Almeida, Afonso de Albuquerque e D. Francisco Mascarenhas, que foram integrados nas colecções do Museu Nacional de Arte Antiga.
Onda do
A.R.Costa
@
16:35 –
ninguém comentou
sexta-feira, 28 de maio de 2010
SAÍR DA CRISE ?
Onda do
Jorge Beirão Reis
@
09:11 –
tem 1 comentário
quinta-feira, 27 de maio de 2010
À bomba?
Onda do
J.N.Barbosa
@
16:55 –
tem 1 comentário




