domingo, 1 de julho de 2007

C.R. Boxer (4)

«Uma das diferenças marcantes entre o império oriental português e o império ocidental espanhol foi a de que o primeiro tinha um notório aparelho militar, enquanto o último, depois da conquista do México e do Peru, era essencialmente um império civil. (...) Praticamente todos os homens portugueses que partiram de Lisboa para Goa durante três séculos foram para o Oriente ao serviço da Coroa. (...) Os fidalgos e os soldados que casavam depois da sua chegada à Índia eram geralmente autorizados a deixar o serviço real, se o desejassem (...) os restantes eram chamados soldados e estavam sujeitos a prestar serviço militar até morrer, desertar, casar ou ficar incapacitados por feridas ou doenças. (...)
Muitos soldados experimentados, além do autor anónimo de um tratado quinhentista acerca do Primor e Honra da vida soldadesca no Estado da Índia, concordaram que todos os asiáticos eram aberta ou secretamente inimigos dos portugueses. "E isto não é de espantar porquanto somos os inimigos declarados de todos os descrentes por isso não é de surpreender que nos paguem na mesma moeda... Não podemos viver nesta região sem armas na mão, nem comerciar com os nativos senão da mesma maneira, estando sempre em guarda." Considerando a insistência com que tantas pessoas que estavam em posição de julgar afirmaram que a Ásia portuguesa era um empreendimento militar, é bastante curioso que a Coroa fosse tão lenta na organização de um sistema militar apropriado para a sua manutenção... Durante mais de 150 anos depois da conquista de Goa por Albuquerque, os os soldados portugueses no Oriente (e, no que diz respeito a este assunto, também em África) não estiveram organizados sob a forma de um exército regular, mas sim, em companhias e pequenas unidades que eram mobilizadas e desmobilizadas consoante a ocasião.»

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