C.R. Boxer (5)
«Desde o início, a Coroa teve os pagamentos quase sempre em atraso («mal, tarde ou nunca») e não havia quaisquer casernas onde pudessem ser alojados os indivíduos à chegada. Inevitavelmente, os reinóis recém chegados, como eram denominados estes inexperientes, tinham pouca ou nenhuma oportunidade de ganhar honestamente a sua vida enquanto esperavam ser chamados para servir nalguma expedição, guarnição ou campanha. Morriam de fome nas ruas ou pediam auxílio às portas das igrejas e dos conventos, ou empregavam-se ao serviço de qualquer fidalgo rico que os pudesse sustentar, ou ofereciam-se para espadachins e rufias, ou então encontravam uma mulher amável (casada ou não) que os sustentava. Depois de terem conseguido algum dinheiro, e se não o perdiam imediatamente ao jogo ( o que acontecia frequentemente), podiam juntar-se em pequenos grupos, talvez fazendo turnos entre si para se exibir nas ruas com o melhor fato que possuiam. Durante a estação das chuvas, de Maio a Setembro, não tinham nada para fazer nestas condições desmoralizadoras em Goa, ou então vegetavam numa das guarnições costeiras. Durante o resto do ano, estavam sujeitos a prestar serviço nas frotas e escoltas costeiras, ou nas expedições punitivas e ataques surpresa contra corsários malabares ou outros inimigos, ou nas guarnições dos numerosos fortes portugueses que se espalhavam de Sofala até às Molucas. Se viviam durante mais de oito a dez anos, podiam então voltar para Portugal com os seus certificados de serviço militar cuidadosamente guardados para pedir uma recompensa à Coroa. Havia relativamente poucos que o podiam fazer, porque era necessário obter uma licença do vice-rei antes de embarcar num navio da carreira de regresso a Lisboa, e cada um tinha de pagar a sua própria passagem.»


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