quinta-feira, 5 de julho de 2007

C.R. Boxer (6)

« A indisciplina notória da soldadesca portuguesa na Ásia e a sua táctica favorita da carga impetuosa foram frequentemente criticados, tanto por amigos como por inimigos. Diogo de Couto,ao comentar a derrota desastrosa que sofreram às mãos do corsário mopla Kunhali, em 1529, observou que, assim como os portugueses superavam todas as outras nações na impetuosidade com que atacavam, assim também os excediam na velocidade com que se retiravam. O seu comtemporâneo Francisco Rodrigues da Silveira, que havia também participado, tanto em victórias como em derrotas, explica que as últimas aconteciam quase todas da mesma maneira. Os Portugueses, ao desembarcarem dos seus navios numa praia hostil, raras vezes esperavam para formar convenientemente e avançar depois em formação cerrada; pelo contrário, cada soldado corria impetuosamente para a frente, sozinho, como se estivesse a fazer uma corrida com os camaradas. Se o inimigo, que estava geralmente parado a uma certa distância, não fugia com esta investida, então os primeiros soldados a alcançá-lo chegavam ofegantes e exaustos, sem nenhumas condições para lutar, e desapoiados pelos seus camaradas mais lentos que vinham a arrastar-se atrás. Os que corriam à frente não tinham então outro recurso senão voltar as costas e retirar tão depressa quanto podiam, deitando muitas vezes fora as armas enquanto fugiam. O inimigo, mais ligeiramente equipado e mais veloz, apanhava facilmente os fugitivos desarmados e decapitava-os. Noutras alturas, como aconteceu no assalto a Calecute, em 1509, os Portugueses tomavam com êxito uma cidade costeira, mas, depois, os soldados dispersavam pelas ruas e casas, à procura de saque, desfazendo-se das suas próprias armas para apanhar objectos pesados e volumosos. Isto dava ao inimigo oportunidade para se reagrupar e voltar em força, matando os saqueadores, que cambaleavam sob o pêso dos objectos pilhados.»

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