domingo, 10 de junho de 2007

Almirante Charles Napier (1)

O almirante Charles Napier comandou a esquadra liberal durante a guerra civil entre liberais e miguelistas, conseguindo retumbante victória na batalha do Cabo de S. Vicente. Em consequência deste feito é nomeado Major-General do Arsenal da Marinha, o que lhe dá a oportunidade de conhecer bem o que era, ao tempo, a briosa. Em 1836 escreve um livro, A Guerra da Sucessão em Portugal pelo Almirante Napier, Conde do Cabo de S. Vicente, que não é só autobiográfico, fazendo abundantes comentários e não poupando ninguém de qualquer das partes.
Por achar que é interessante para nós o seu ponto de vista sobre a nossa marinha, irei transcrever nos próximos dias algumas passagens mais significativas, para comparar e meditar.

4 comentários:

O FdaPonte disse...

Não perder um qudro excelente, património nacional, exposto no nosso Museu sobre o assunto.

O Nunes da Cruz disse...

Bom, retumbante vitória é o que diz Napier, compreendendo-se que se quisesse valorizar, até porque era um mercenário.
Ao regressar da sua missão de desembarque do duque da Terceira em Cacela, ao dobrar o cabo de S. Vicente deparou-se-lhe uma desorganizada esquadra miguelista, que partira de Lisboa ao seu encontro.
Segundo diz o barão de Saint Pardoux, oficial adido ao exército de D. Miguel, toda a esquadra miguelista, depois de um simulacro de combate, em que apenas alguns bravos oficiais e marinheiros preferiram uma morte gloriosa à infâmia de que se cobriram alguns dos seus chefes, entregou-se a Napier.
Ainda segundo o mesmo autor, a decisão do Comandante Aboim em dirigir-sa ao encontro de Napier após a saída de Lisboa, contrariou as ordens que tinha para se dirigir para Vila do Conde, onde D. Miguel tencionava despedir do seu serviço todos os oficiais considerados tridores e dar o comando da esquadra ao capitão de fragata Elliot.
Corroborando esta versão, vários autores da época referem com espanto a passagem imediata de muitos dos vencidos para o serviço dos vencedores.

O LSN disse...

Fico a aguardar, com impaciência, as "passagens" escolhidas pelo JNB do livro deste senhor ... que aliás "adoptou o nome de Carlos de Ponza, para evitar a perda de patente na armada britânica".

O J.N.Barbosa disse...

Aquela guerra foi uma anedota do ponto de vista militar e dos dois lados. Neste particular, o que é certo é que a esquadra miguelista era muito mais potente e nem deu luta.